Brasileiros acusados de sequestrar neto pagam fiança de US$ 1 milhão

O casal Carlos e Jemima Guimarães foi detido quando desembarcou no aeroporto nos EUA
Há vários anos, o médico Christopher Brann luta para que o filho, Nicolas, retorne aos EUA
Carlos e Jemima Guimarães não podem sair dos EUA e terão que retornar ao tribunal no início de maio
Os avós acusados de sequestrar o próprio neto e leva-lo ao Brasil foram liberados da prisão depois de pagarem a fiança de US$ 1 milhão. Eles deverão retornar ao tribunal em Houston (TX) no início de maio e, enquanto isso, não podem sair dos EUA. Entretanto  o pai da criança, Christopher Brann, que luta pela guarda do filho, teme que eles deixem a cidade. As informações são do canal de TV local KHOU 11 News.
Carlos e Jemima Guimarães não disseram nada aos repórteres quando saíam do prédio da Corte Federal. Ambos foram liberados depois de pagarem fiança e enfrentam as acusações de sequestro e conspiração.
“Eles (os réus) têm um monitor GPS, não podem sair de casa em determinados horários e cada um teve que pagar US$ 1 milhão em dinheiro de fiança ao tribunal”, explicou o advogado Jimmy Ardoin.
O casal milionário é acusado de ajudar a filha, Marcelle Guimarães, de sequestrar o filho, agora com 8 anos de idade, em 2013. A criança permanece no Brasil com a mãe, que também é acusada de sequestro internacional de menores nos EUA.
Carlos e Jemima foram detidos quando desembarcaram nos EUA para participarem de uma festa de aniversário de outro neto.
“O meu filho tem passados por momentos horríveis de trauma emocional por causa disso”, disse o médico americano Christopher (Chris) Brann, pai da criança.
Ele tenta chegar a um acordo com relação à custódia do filho com a ex-esposa; enquanto o caso contra os ex-sogros segue na justiça.
“Esperançosamente, nós estamos um passo mais próximo de conseguir o meu filho de volta”, disse Brann.
O médico e os promotores públicos temem que Carlos e Jemima fujam dos EUA, entretanto, essa possibilidade foi rebatida pelos advogados de defesa. “Essas pessoas querem fazer a coisa certa, contar a versão delas e recuperarem a reputação”, disse o advogado Rusty Hardin. O casal deverá retornar ao tribunal para nova audiência no início de maio.
Brann disse que, após o pagamento das fianças, ele espera que tudo se resolva de forma pacífica. Atualmente, ele está impedido de visitar o filho no Brasil porque corre o risco de ser preso por supostamente não pagar a pensão alimentícia da criança.
. Entenda o caso:
Em Bayou City (TX), o sonho de Brann tornou-se pesadelo. Ele conheceu Marcelle Guimarães num grupo de estudos sobre Finanças no Cuidado de Saúde na Rice University que ambos participaram em 2004. Eles começaram a namorar em 2005, casaram-se em 2008 e tiveram Nicolas no Memorial Hermann Hospital em 2009.
Christopher relatou que sempre quis ter um filho e lembrou-se com carinho as noites que passou cuidando do bebê, carregando-o no colo e o observando crescer. Ele estava pronto para cuidar do filho, pois os anos de residência médica o treinaram para acordar imediatamente e estar alerta ao som do despertador. Entretanto, o relacionamento com a esposa entrou em crise. Ideologias diferentes separaram o casal, detalhou Brann. Guimarães teria alegado “diferenças irreconciliáveis”, quando iniciou o processo de divórcio em 2012.
O ex-casal compartilhava igualmente a custódia do filho até que ela pediu autorização para levar a criança para visitar os pais delas na região metropolitana de Salvador (BA) e assinou um documento para retornar aos EUA na data determinada. Dias antes do retorno, Guimarães tinha pedido mais tempo; enquanto buscava secretamente a custódia unilateral de Nicolas (Nico) no Brasil.
Durante a luta de Brann para reaver o filho, ele descobriu que somente o Departamento de Estado pode interceder com um governo estrangeiro. O processo é feito através do Convenção de Rapto de Haia de 1980; um acordo assinado por 73 países, incluindo os EUA e o Brasil. “Caso um dos pais sequestra uma criança num país que é parceiro na Convenção de Haia, nós trabalhamos com aquele país para o retorno dessa criança ao local de residência habitual”, explicou um representante do Departamento de Estado. “Um tribunal no país de residência habitual poderá, então, resolver a questão da custódia”.
Entretanto, as leis internacionais têm impactado pouco o caso de Brann. Os vários anos de apelações nos tribunais brasileiros aumentam o receio do médico de que o filho, já entrando na adolescência, esteja crescendo num estilo de vida e idioma nos quais ele não poderá fazer parte. Ele relatou que se sente como Guimarães e a família dela o trataram como um “doador de esperma”. Atualmente, Brann casou-se novamente e planeja ter mais filhos.
 
 
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Fonte: Brazilian Voice

FN