Grupos armados da Faixa de Gaza anunciam acordo de cessar-fogo, mas Israel nega

Israel lançou dezenas de ataques contra o Hamas na última noite em represália a foguetes disparados de Gaza. Escalada desta terça foi confronto mais grave desde a guerra de 2014. Chamas de foguetes disparados por militantes palestinos são vistas sobre a Faixa de Gaza na madrugada desta quarta-feira (30)
Adel Hana/AP Photo
A Jihad Islâmica e o Hamas anunciaram um cessar-fogo entre os movimentos palestinos e Israel, supervisionado pelo Egito. Israel negou a existência de tal acordo, no entanto disse que não atacaria mais a Faixa de Gaza se foguetes não fossem lançados em direção ao seu território.
A Faixa de Gaza, cercada por Israel, Egito e o Mediterrâneo, e as zonas fronteiriças israelenses registraram nesta terça-feira o confronto mais grave entre as forças do Estado hebreu e os grupos armados palestinos desde a guerra de 2014.
Israel atacou com sua aviação e sua artilharia 25 novas posições militares do Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e da Jihad Islâmica na última noite, em represália ao disparo de uma série de morteiros lançados na véspera. Os alvos foram infraestruturas militares vinculados ao Hamas, incluindo fábricas de foguetes e refúgios de drones.
Fumaças são vistas na Faixa de Gaza após ataques israelenses na madrugada desta quarta-feira (30)
Adel Hana/AP Photo
Os bombardeios israelenses paralisaram a Faixa de Gaza, ao menos provisoriamente, de acordo com a agência France Presse. O exército não fez nenhuma advertência de projétil lançado a partir de Gaza nas últimas horas.
Israel já protagonizou três guerras na Faixa de Gaza com o Hamas, a Jihad Islâmica e outros grupos armados palestinos.
Escalada
Os braços armados do Hamas e da Jihad Islâmica reivindicaram o lançamento de dezenas de projéteis contra Israel na terça-feira, em reposta, segundo os movimentos palestinos, a ataques do exército israelense contra suas posições.
Um dos ataques matou três integrantes da Jihad Islâmica no domingo.
De acordo com o exército, mais de 70 foguetes e obuses de morteiro foram lançados da Faixa de Gaza contra Israel, mas vários foram detidos pelos sistemas de defesa aérea. Três soldados israelenses ficaram levemente feridos e não houve vítimas palestinas.
A escalada de terça-feira, após semanas de violência na fronteira entre Israel e Gaza, ressuscitou o fantasma de um novo conflito no território, cenário de três guerras desde 2008.
O governo dos Estados Unidos, aliado de Israel, denunciou os disparos palestinos “contra instalações civis” e pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU nesta quarta-feira.
Cessar-fogo ou não
O acordo de cessar-fogo foi anunciado na terça à noite pela Jihad Islâmica. “Um acordo de cessar-fogo foi fechado com Israel para um retorno à calma”, disse em um comunicado Dawud Shihab, porta-voz do movimento islamita palestino.
Khalil al-Hayya, auxiliar do líder do Hamas na Faixa de Gaza, confirmou nesta quarta que uma trégua foi alcançada “graças a um determinado número de mediadores”. O Egito, que já foi a potência dominante em Gaza, é um dos dois únicos países árabes a manter relações com Israel, teria mediado o acordo.
Mas Yisrael Katz, ministro israelense da Inteligência, negou o acordo. “Israel não deseja que a situação se deteriore, mas quem desencadeou a violência deve encerrá-la. Israel fará pagar (o Hamas) pelos disparos contra Israel”, afirmou.
No entanto, uma fonte da Defesa de Israel disse à imprensa local que chegou-se a um entendimento de que Israel não conduziria mais ataques contra Gaza desde que foguetes parassem de ser disparados contra o seu território. Mas se os lançamentos forem retomados haveria mais represálias.
Israel e Hamas, com seus aliados, observam desde 2014 um cessar-fogo que é desafiado regularmente.
Nem Israel nem um enfraquecido e isolado Hamas teriam interesse em uma escalada. Mas diplomatas e analistas afirmam que o isolamento de Gaza pelo bloqueio israelense e egípcio, a crise econômica e a ausência de um horizonte político desestabilizam a situação.

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Um mês após saída de 300 venezuelanos, praça não entrou em reforma e comerciantes querem retirada de tapumes

Prefeitura licita reforma de R$ 2 milhões, mas não deu prazo para começar obras na Capitão Clóvis, em Boa Vista. Comerciantes de quiosques no entorno reclamam: ‘tapumes facilitam a ação de ladrões’. Praça Capitão Clóvis completou um mês desocupada e reforma ainda não começou
Emily Costa/G1 RR
Um mês após ter sido desocupada, fechada e lavada, a praça Capitão Clóvis, onde havia um acampamento improvisado de 300 venezuelanos, ainda não começou a ser reformada pela Prefeitura de Boa Vista. Comerciantes do entorno relatam arrombamentos e dizem que com a instalação de tapumes e a saída dos venezuelanos, a praça ficou baldia e perigosa.
Os venezuelanos que moravam na praça foram levados para um abrigo provisório na manhã do dia 24 de abril. A operação de retirada foi executada pelo Exército, ONU, aeronáutica e prefeitura.
No dia da desocupação, os imigrantes contaram que foram pegos de surpresa, mas que de fato queriam ir para o abrigo, porque a vida na praça era difícil. A maioria dos venezuelanos ficava em barracas improvisadas, ou dormia sobre papelões. Lá não havia banheiros, e nem bebedouros coletivos.
Venezuelanos viveram acampados em praça por cerca de nove meses; praça foi cercada com tapumes no dia 4 de abril e desocupada no dia 24 para ser reformada
Emily Costa/G1 RR/Arquivo
Antes de ter sido esvaziada, a praça Capitão Clóvis foi cercada com tapumes sob a justificativa de que seria reformada. Dias antes, a prefeita Teresa Surita (MDB) tinha anunciado à imprensa que iria desocupar praças e proibir imigrantes venezuelanos de acamparem em espaços públicos.
Agora, com a praça vazia e cercada, donos de comércios no entorno reclamam da demora para o início dos serviços. Eles contam que os tapumes colocados antes da saída dos venezuelanos escondem os quiosques o que além de afastar os clientes, facilita a ação de bandidos, porque a praça está baldia.
Comerciante José de Lima teve quiosque arrombado após a retirada de 300 venezuelanos da praça Capitão Clóvis
Emily Costa/G1 RR
Na última segunda (21), um restaurante foi arrombado. Foram levadas botijas de gás, panelas, comida, e até uma garrafa de café. O proprietário, José de Lima, de 51 anos, calcula que teve mais de R$ 4 mil de prejuízo. O quiosque está fechado desde então.
“Quem invadiu foram usuários de drogas brasileiros. Desde que a praça foi desocupada eles vêm para cá usar crack. Abriram uma entrada na praça, e fazem o que querem lá dentro e aqui do lado de fora. Toda noite eu peço para a polícia vir, porque já tinham tentado arrombar aqui. Desta vez conseguiram”, lamentou.
Ele também garante que o movimento no restaurante caiu pelo menos 70% desde que os tapumes foram instalados, ainda no início de abril.
Tapumes foram retirados e uma entrada foi aberta na praça Capitão Clóvis
Emily Costa/G1 RR
“Ou reformam logo a praça, ou tiram os tapumes. Do jeito que está não pode continuar. É perigoso e prejudica as vendas”, acrescentou a esposa do comerciante, Edilma Alves, 47. Os dois mantêm o quiosque há 17 anos.
Reforma de R$ 2 milhões
Procurada pelo G1, a prefeitura de Boa Vista informou que abriu na semana passada a licitação para a reforma da praça Capitão Clóvis.
A previsão é que a reforma custe R$ 2 milhões. O recurso, ainda de acordo com o município, vem do Ministério do Turismo e foi alocado por meio de emenda do senador Romero Jucá (MDB).
A prefeitura não se manifestou sobre as reclamações dos comerciantes.
Praça Simón Bolívar
Além da Capitão Clóvis, a praça Simón Bolívar, na zona Oeste, onde 846 venezuelanos viviam, também não começou a ser reformada mais de 20 dias depois de ter sido es
A Simón Bolívar foi desocupada no último dia 6 depois de também ter sido cercada com tapumes. Os imigrantes, que viveram lá por cerca de sete meses, foram levados a abrigos.
Após a retirada de 846 moradores, entrada da praça foi lacrada para evitar nova ocupação; espaço será revitalizado, segundo a prefeitura
Emily Costa/G1 RR
À época do fechamento da praça, a prefeitura disse que ela precisava ser esvaziada para passar por manutenção em virtude dos danos causados pela ocupação dos venezuelanos. Nos últimos três anos, quase 20 mil venezuelanos pediram refúgio em Roraima, primeiro estado após a fronteira. Entre janeiro e fevereiro, cerca de 3 mil venezuelanos solicitaram refúgio no estado e outros 2,5 mil pediram residência temporária à Polícia Federal em Boa Vista.
Agora, o município diz que a Secretaria Municipal de Serviços Públicos e Meio Ambiente está fazendo ajustes no projeto inicial de reforma e que assim que isto for definidio, serão divulgados quais serviços serão de fato feitos no local. O valor previsto para ser gasto não foi divulgado, mas a prefeitura disse que obra será custeada com recursos municipais.

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